17 outubro, 2009




Universo da minha Inspiração
Edson C. Contar
Quero usar teu corpo,

Cobrir de poesias tua pele,

Desenhar o sol, a lua...

Escrever a partiturade uma canção,

a mais linda,

Para ti, ó deusa nua...


Em teus seios apor meus lábios,

E em teu ventre um sinal de amor.

Em tuas coxas escrever com leveza,

Um verso com tal beleza,

Que te cubra de rubor...


E finalmente em teus lábios,

Um poema que te deixe louca,

Escrito em beijos de amor,

Sendo a pena, a minha boca...


HORIZONTE

Edson Carlos Contar
Campo Grande/MS - Brasil

Inatingível para alguns, o horizonte,
Onde comentam residir a felicidade,
Não tem, sequer, a alcançá-lo aquela ponte,
Que é feita em simples armação de uma vontade...

Para atingi-lo é necessário ser poeta,
Saber viajar no barco mágico da poesia,
Ir navegando entre sonhos e amores,
Fazer das dores o remar da alegria.

Aí, então, talvez a vida presenteie,
O que viveu, cantou a vida, amou alguém...
E dependendo do amar, a intensidade,
O bom poeta o alcança e vai além...



VIDA, POEMA E CANÇÃO

Edson Carlos Contar

No compasso do existir,
Rimados ou desconexos,
Faço em versos meus caminhos,
Sentimentos que anexo
Sejam rosas ou espinhos.

Amores, filhos, amigos,
Família, fé e trabalho,
Enredando poesias,
Fatos novos ou antigos,
São versos que embaralho,
No versejar dos meus dias...

Rimo filhos com carinho,
Amores com afeição,
Pais eu rimo com saudade,
Com afeto, cada irmão.

E cada amigo que abraço,
É mais um verso a escrever,
O poema que hoje faço
Na bênção do meu viver.

E quando finda a poesia,
Ausente a inspiração,
Terá chegado o meu dia.
Entregarei com alegria,
O meu poema de vida,
Ao AUTOR de minha canção.

13 outubro, 2009

ALMA





ALMA...

Edson C Contar

Minh'alma não veste grifes...
É recoberta com um manto de fé,
Bordado em pontos de dignidade,
Botões moldados no perdoar,
Alinhavado em serenidade.

Não se despe ao medo,
nem às ameaças do mal...
Não se abriga na escuridão ,
Nem se refugia no egoismo...
Não se embriaga com o vinho
adocicado da falsidade,
Nem se faz indiferente
ao sofrimento alheio...
É incolor, mas brilha
em fulgores sagrados...
Reflexo que é da luz
emanada por Deus.

Assim creio...
Assim a recebi...
Assim eu a guardo.




A MENINA DAS FLORES
Edson Carlos Contar


De bar em bar ela caminha,
Levando flores para vender.
Nos olhares adivinha
A quem vai oferecer...

"Uma flor, senhor?
Para sua namorada,
É uma prova de amor.
Não precisa dizer nada,
A mensagem está na flor."

E de flores e sorrisos
Lá se vai a tal mocinha,
Como fada em sua graça,
Deixando versos em pétalas,
E em seu rastro de alegria,
Perfume por onde passa.

Até que encontra um jovem
Num cantinho, entristecido...
Talvez por não ter amor
Ou ser pelo amor esquccido.

Quando os olhares se cruzam,
Algo mágico acontece...
Do cesto, ele apanha as flores
E à menina oferece.

Sem palavras, se abraçaram,
E para o mar caminharam,
Tendo a lua de madrinha.
E ali mesmo, juraram,
Ao mesmo tempo, falaram:
-Serás meu !...
-Tu serás minha!




VELHA ÁRVORE
Edson Carlos Contar
Deixa, velha árvore,
que façam trovas debochando da tua velhice.
Eu continuo vindo aqui para encontrar-te
nesta pracinha, palco da minha meninice...

Acompanhaste minha infância e juventude,
os meus segredos, minhas dores encobriste.
Faz tanto tempo, estou velho e combalido,
mas tu és forte e a temporais ainda resistes.

Até os nomes que gravei no tronco amigo
do amor primeiro que sonhei quando criança,
ainda guardas entalhados em teu corpo,
trazendo a mim, dos velhos tempos, tal lembrança.

Mesmo que passem indiferentes à tua presença,
aqui estarei pelas manhãs de primavera.
E no verão e no outono ou no inverno,
eu voltarei para viver minha quimera.

E quando, um dia, eu for chamado a juízo,
meu desejo já deixei pra quem ficar,
quero em tua sombra o abrigo de que preciso
e aqui para sempre estarei a te abraçar.




BECO DO LOUCO
Edson Carlos Contar

Pobre gente que não sabe quem sou,
Pobre de mim que não sei quem são.
Não conhecem minha história
E duvidam da minha razão...

Não sabem da noite distante,
Em que ela aqui apareceu,
E, neste beco escuro,
Por migalhas a comprei.

Era linda e carinhosa,
Silhueta maravilhosa,
Que, embevecido, admirei.
E aqui mesmo neste lugar,
Como que num lupanar,
Loucamente eu a amei...

Por um niquel, deu-se tensa,
Entregou-se em silêncio,
E em silêncio partiu.
Refletida, então, na luz,
Percebi em sua linda face
Uma lágrima que caiu...

Sentí-me o pior dos homens,
Por me apoiar na desgraça,
E no desespero de um ser
Que, por uma migalha de pão,
Indiferente à razão,
Saciou o meu prazer.

Desde então, eu a espero,
No lugar em que a encontrei.
Frio, chuva, não importa,
Meu pecado não paguei.

Já grisalho, me agasalho,
Na esperança que, um dia,
Ela passe por aqui,
E possa ouvir-me assim rouco,
Pedir que perdõe o homem,
Que todos chamam de louco!

À DERIVA





À DERIVA
Há um barco à deriva na solidão da minha noite...
Nele, navegamos eu e ELE...
Mesmo enfraquecido e cansado, continuo remando...
No leme, ELE conduz meu coração,
Livrando-me das vagas e dos turbilhões.
Apanha com as mãos o peixe que me alimenta,
Faz cair a chuva necessária para matar minha sede
E me fortalece na esperança de encontrar meu destino.

Edson Contar



Pedaços de Mim
(Para meus filhos, netos e...
para os que virão depois...)

Edson Carlos Contar

Estava escrito...
Cresci e fiz-me em pedaços
Que em pedaços se fizeram.
São meus filhos e meus netos,
Que sempre alegria me deram...

Pedaços que com o tempo
Escorrem para o espaço.
Impossível tê-los juntos,
No quebra-cabeça que faço.

Os filhos buscaram a vida,
Os netos a vida afastou.
Meus braços não podem alcançá-los,
Por isso vou abraçá-los,
Na poesia que sou.

Só peço a Deus que, um dia,
Eu possa trazê-los juntinhos,
Formar o meu eu novamente,
Somar os meus pedacinhos...

Mas saibam os presentes
E meus pedaços distantes
Que os tenho todos juntos,
Em todo tempo ou instantes...
No desenho da saudade,
Recompondo minha vida,
Meus sonhos, minha verdade...

E quando um dia eu me for,
Ganharei a eternidade.
Porque, na realidade,
Aqui ficarão meus pedaços.
Serei apenas SAUDADE...


12 outubro, 2009

DROGADO




Drogado
Edson Carlos Contar

Sem rumo, nem prumo.
Sem norte ou destino
Cruel desatino
Me faz só vagar
E a vaga do tempo,
Não traz um alento
Que apague o tormento
No meu caminhar

Em que pese o juizo
Sem peso preciso,
Ainda é lembrança
Teu vulto mulher...
Me toca a memória
O fim de uma história
Deixada no tempo,
Num canto qualquer.

Se foi realidade,
Na insanidade,
Eu busco a verdade
Da tua existência...
Mas tudo se perde
No éter sombrio
Que empola e agrava
A minha demência.

Na poeira do tempo
E no pó fantasia,
Eu sei que um dia,
Amores vivi
E se fostes verdade
A cruel realidade
É pensar que pra sempre
Então, te perdi .